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sábado, 3 de outubro de 2015

O que pode unir os grossistas tradicionais do setor alimentar?

A dinâmica dos mercados tem de ser assumida como sendo um facto contra o qual não há argumentos!
O setor grossista português está numa encruzilhada, em cuja saída terá de haver mudança na forma de gerir o mercado.

A situação de partida é simples; num país pequeno, onde a infraestrutura rodoviária era fraca, foram criadas empresas grossistas cuja vocação consistia em armazenar mercadorias e vendê-las a milhares de retalhistas alimentares de lojas de pequena dimensão.
Perto de 50.000 lojas alimentares e zonas de atuação geográfica restritas justificaram amplamente a existência de numerosos grossistas.  

Desde meados dos anos 90, o panorama mudou; as novas fórmulas comerciais modificaram o aparelho português de distribuição retalhista com
o advento e o aumento de pressão das fórmulas comerciais, tais como os hipermercados, os supermercados, o hard discount. As insígnias Continente, Pingo Doce Intermarché, Lidl, Minipreço e Jumbo/Pão de Açúcar fazem hoje parte do dia-a-dia dos portugueses e, como dito no post “Num mundo global, tudo pode acontecer” http://alojadaminharua.blogspot.pt/2015/09/num-mundo-global-tudo-pode-acontecer.html, as 3 primeiras insígnias de distribuição em Portugal (Continente 27,10%, Pingo Doce 25,10% e Intermarché 9,40%) representam 61,60% de quota de mercado ou seja, perto de 2/3 das vendas da distribuição portuguesa!

De há meia dúzia de anos para cá, em paralelo - e se calhar em resposta às cadeias de comércio associado desenvolvidas pelos grossistas alimentares - as grandes insígnias estão a aumentar a pressão no mercado alimentar, desenvolvendo cadeias de lojas alimentares franchisadas e/ou afiliadas.

Hoje, e como já foi divulgado, explicado e redito “mil vezes” no blog “ Alojadaminharua”, estão a aparecer soluções comerciais que incluem todas as ferramentas eletrónicas ligadas à Internet e que colocam o consumidor final a um click do produto desejado, seja qual for a sua localização geográfica. A distribuição está a tornar-se omnicanal!

Os grossistas independentes do setor alimentar devem refletir sobre um novo modelo de gestão.
Os 3 primeiros passos
1- Portugal é um país de pequena dimensão e as empresas grossistas que atuam em mercados geminados devem juntar-se. Isso pressupõe que os líderes das empresas passem de gestores a acionistas de referência, e que aceitem um papel de supervisão, deixando a gestão executiva a um Diretor Geral assalariado;
2- Cada armazém deve, se for pertinente, tornar-se num “cash and carry” sob a responsabilidade de um gerente que reporta à direção geral;
3- As funções logísticas, administrativas, comerciais e de marketing devem ser agrupadas e reformuladas para, de forma centralizada, fazer o management da atividade do conjunto;

3 passos para ganhos enormes
- O agrupamento de empresas numa estrutura única deverá pôr um fim à concorrência contra produtiva em termos de imagem e de benefícios;
- Uma sede única deveria reduzir os custos de gestão e evitar a duplicação de funções;
- Em termos de marketing, o conjunto poderá aumentar de forma significativa a sua visibilidade e o seu impacto regional;
- Em termos comerciais, a vantagem negocial será maior tanto ao nível dos fornecedores como dos comerciantes retalhistas. Nas duas extremidades, as negociações comerciais deveriam traduzir-se por ganhos significativos para a nova entidade grossista;
- Fim da duplicação de passagem na mesma zona, para visitar os mesmos retalhistas, permitindo uma rentabilização da frota de camiões de entrega de mercadorias, e um aumento do número de linhas por fatura. A força comercial no terreno será racionalizada;
- Libertação de meios financeiros para desenvolver uma política de gestão do território. Isso poderá significar o desenvolvimento de uma cadeia ou de cadeias de lojas para conseguir o controlo do escoamento em todos os cantos da zona geográfica de atuação;
- Desenvolvimento de soluções modernas de comércio baseadas no omicanal e utilizando todas as ferramentas do comércio virtual para chegar aos consumidores finais!

O que pode unir os grossistas independentes do setor alimentar é uma tomada de consciência de que o mercado está em movimento e, que as soluções que fizeram os seus sucessos pessoais no passado não são receitas de sucesso para o futuro.

A vida tendo horror do vazio, obviamente que o que não será feito por uns será feito pelos outros!

O seu sucesso está nas suas mãos!
RB

1 comentário:

  1. Obrigado Angel para a tua mensagem, pois por lapso escrevi 1/3 em vez de 2/3. Ok está corrigido.

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