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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Tudo debaixo do mesmo teto!

Quando apareceram, os hipermercados correspondiam a uma fórmula comercial caraterizada essencialmente por: 
1- Uma prática de preços “discount”, provocando uma quebra de linha em relação às lojas populares e aos grandes armazéns;
2- Uma localização na periferia dos centros urbanos, para se aproximarem das zonas de crescimento populacional constituídas pelos novos bairros situados às portas das cidades. Aliás o nome CARREFOUR, grupo que inventou a fórmula do hipermercado em 1963, quer dizer CRUZAMENTO em língua portuguesa ou seja, a ideia era ter lojas situadas em local de convergência da população.
3- Uma oferta larga e profunda marcada por um “slogan” forte
– Tudo por baixo do mesmo teto -.

Nos anos 80, a fórmula foi transposta em Portugal com poucas variações e, o modelo do hipermercado teve um sucesso tal que, por exemplo, transformou totalmente a vida do grupo Sonae e modelou o aparelho comercial português, permitindo que o governo português conseguisse combater a inflação.

A lei da abertura ao domingo, de par com o aparecimento de centros comerciais imponentes, tais como o CC Columbo, o CC das Amoreiras, o CC Algarve shopping e os diferentes Forum, bem como a multiplicação das insígnias especializadas em universos do não alimentar, para ocupar o território e tornar difícil a entrada de operadores estrangeiros, levaram a que em Portugal os hipermercados se focalizassem mais no alimentar, com um aumento significativos das secções do alimentar fresco, congelados, dietéticos e saúde, deixando os universos não alimentares para os especialistas.

A saída dos hipermercados dos universos não-alimentares provocou a criação de insígnias especializadas situadas em grandes centros comerciais. Num período de crescimento económico e de vendas fortes, este sistema funcionou bem. O tráfego de clientes era suficiente para garantir boas performances para todas as insígnias. Todavia, num período de contração do consumo, de forte queda das vendas no não-alimentar e de abrandamento das vendas no alimentar, a perspetiva muda! O que estava certo tem de ser posto em causa! 

Na medida em que o tráfego de clientes é necessário, seja qual for a loja, para garantir a dinâmica comercial da loja e garantir a rentabilidade da operação, é provável que venhamos a assistir a um regresso de uma grande parte dos universos não-alimentares ao seio dos hipermercados, de maneira a aumentar o tráfego de clientes no conjunto do espaço comercial e a tornar lucrativas as operações utilizando as sinergias propiciadas por “TUDO DEBAIXO DO MESMO TETO!” 

Em termos do comércio de tipo supermercado e LPD – Loja de Pequena Dimensão – repensar o sortido para propor categorias de produtos do não alimentar não será uma má ideia se as características técnicas de cada gama forem bem pensadas – Altura/Largura/Profundidade. Obviamente que as organizações, as mais fortes e mais estruturadas, quer grossistas quer retalhistas, serão as que poderão proporcionar o melhor apoio técnico à respetiva rede de lojas e/ou aos seus comerciantes associados. 
RB

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